Dança Contemporânea

A dança contemporânea surgiu na década de 60, como forma de protesto e rompimento com a cultura clássica. Consolidou-se como uma linguagem própria a partir dos anos 80 e pode incluir em sua técnica e, portanto, em sua linguagem estética, apropriações e recriações dos sistemas e métodos desenvolvidos pela dança moderna e pós-moderna. De uma maneira geral pode-se admitir como dança pós-moderna, dança de vanguarda ou dança contemporânea aquela que protesta contra o que está estabelecido, contra o mundo tal como foi construído e, consequentemente, também contra o homem, tal como ele hoje se apresenta. Neste contexto, a dança, mais do que nunca, passou a dar ênfase à leitura e à pesquisa criativa de gestos, ações, imagens, necessidades, desejos, expectativas de nós mesmos e do mundo em que vivemos. É importante notar que não se deve considerar “contemporâneo” de forma simplista, como tudo aquilo que é criado atualmente. É preciso que se torne clara a diferença entre dança contemporânea e danças da contemporaneidade. Todas as danças realizadas atualmente por artistas ou não artistas pertencem à contemporaneidade, porém, não são necessariamente “dança contemporânea”, pois esta ocupa um espaço formal didaticamente planejado de formação crítica à realidade, através da dança.

Assim sendo, podemos dizer que o que se entende por dança contemporânea apresenta-se como um desdobramento e uma recriação (estética, política, técnica) do que era feito por importantes coreógrafos e estudiosos da dança moderna como, por exemplo, Rudolf Laban, Kurt Jooss, Martha Graham, Maurice Béjart, Mary Wigman, José Limón, Merce Cunningham, entre outros. Atualmente, podemos citar como referência de dança contemporânea o trabalho de artistas como Pina Bausch, William Forsythe, Maguy Marin, Win Vandekeybus, Lloyd Newlson (DV8), Mathilde Monier, Sasha Waltz, Ohad Naharin, Henrique Rodovalho (Quasar Cia. de Dança), Deborah Colker, Lia Rodrigues, Rodrigo Perderneiras (Grupo Corpo) entre outros.

As aulas de dança contemporânea na IAD – Lina Penteado têm como proposta despertar o corpo do aluno para a sua própria estrutura e para as suas possibilidades de movimentação. De forma criativa, são trabalhados exercícios que permitem o desenvolvimento da consciência corporal, coordenação motora, alongamento e flexibilidade, além da percepção rítmica e musical. Nossas aulas envolvem recriações das referências estéticas e técnicas do ballet clássico e da dança moderna e criam um espaço para que o aluno possa desenvolver a sua expressividade, criatividade, sensibilidade. A técnica trabalhada envolve um trabalho da coluna vertebral que transita pelo eixo cartesiano através de torções, contrações e movimentos espiralados e o estudo do movimento envolve investigações acerca da percepção e variação dos elementos peso, tempo, fluência e espaço. No que se refere especificamente à exploração do espaço, o aluno pode experimentar movimentos nos níveis alto, médio e baixo e também trajetos e percursos espaciais através de sequências coreográficas que envolvam bastante deslocamento espacial.

Em nossas aulas também estimulamos o trabalho de improvisação e criação em grupo e, neste contexto, a participação do aluno no processo criativo de uma coreografia ou de uma pequena frase de movimento é explorada visando ampliar o seu repertório de movimentos, permitindo que o aluno esteja mais consciente de seu corpo e da realidade que o circunda.